quinta-feira, 29 de abril de 2010

Cortes profundos

Se estou passando por essa fase horrível,
é porque vou superar,
mas aquela facada foi profunda,
deixando minha mente imunda,
tão cheia de você,
tão cheia de nada.

Palmas pra você,
você se sente tão feliz,
ou seria apenas disfarce?

E agora faça o que quiser,
vou tentar não olhar para você,
faça de tudo para chamar minha atenção
quem sabe um dia eu ainda lembre de você,
cuzão!

Mesmice

Eu ainda caminho pelas mesmas ruas,
vazias, sombrias, caladas.
Ainda ouço o barulho dos meus passos,
pé após pé, como o soar ritmado de um sino.
Por enquanto fumo o mesmo cigarro,
enfumaçando meu cabelo.
Mesmas piadas, mesmos risos,
um desenvolvimento que não evolui.
Bebendo a última dose,
estragando minha vida,
só pra sabe o que acontece,
quando se entrega tudo ao destino.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O conto da Lua

E aquele homem se apaixonou pela Lua,
redonda e radiante.
Então ele descobriu que ela era cheia de buracos,
o homem não preocupou em concertá-los,
e continuou amando a Lua.
Contaram-lhe então que ela não tinha luz própria,
mas o seu reflexo no mar já bastava.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Desejo

ver você andando pelas ruas
olhando para o alto e sonhando
com o coração em pedaços
com o sentimento abandonado
com o ego no chão
machucado por auto-flagelo
com o pensamento enfim sincero
implorando para voltar

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Cântico para a morte

Quantas vezes desejei não te olhar,
ver seu rosto de olhos fechados.
(uma pá de terra)
Quantas vezes desejei que parasse de respirar,
e não mais soprar nos meus ouvidos.
(mais uma pá de terra)
Quantas vezes desejei que você tivesse várias vidas,
em todas elas esqueceste de me amar.
(mais uma pá de terra)
Quanto tempo esperei que você andasse,
e não dançaste comigo.
(mais uma pá de terra)
Quantas vezes esperei que você falasse,
e seus lábios não tocaram os meus.
(mais uma pá de terra)
Quantos lenços desejei que você tivesse,
e nenhum deles enxugou minha lágrima.
(mais uma pá de terra)

Hoje te enterro e te entrego aos céus,
ouça a terra se movendo,
ouça os gritos do inferno,
a terra está constrangida com sua presença,
ela dará conta de você.

Em sete vidas
espero que uma delas você me ame!
(fechem o túmulo)

sábado, 3 de abril de 2010

Cartas-bomba

preciso arrumar esse amontoado de cartas
dividi-las em momentos vitais
ou quem sabe em destinatários
retirar os selos inúteis
que os colei para não enviar

cartas para amores
cartas para dores
cartas para senhores
cartas para doutores

nunca chegaram, nunca chegarão
fogo e destruição
se meu passado me condena
elas serão testemunhas de minha traição